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No Brasil, estima-se que em 2008 os custos de transporte corresponderam a 59,8% dos custos logísticos totais. Os custos logísticos totais, por outro lado, representam um grande peso para as economias nacionais. No nosso país, os custos logísticos totais representaram, em 2008, 11,6% do PIB. Em comparação, nos Estados Unidos da América, no mesmo período, em relação ao PIB, os custos logísticos totais corresponderam a 8,7%. O desempenho das operações logísticas, ainda, relaciona-se, entre outros, para além dos custos referidos, com a eficiência da gestão e com a qualidade da oferta de infraestrutura viária, de terminais e de veículos.

Atualmente a oferta inadequada de infraestrutura no Brasil é identificada como o fator mais problemático para a realização de negócios, inibindo a competitividade global do país, à frente de fatores como a questão tarifária, a ineficiência burocrática e as leis trabalhistas. Em um ranking do Fórum Econômico Mundial com 148 países, a qualidade da infraestrutura no Brasil situa-se, em relação aos demais países, em 114° lugar, a qualidade das estradas em 120° lugar, a da infraestrutura ferroviária em 103° lugar, a da infraestrutura portuária em 131° lugar e a da infraestrutura de transporte aéreo em 123° lugar. No âmbito da infraestrutura, a competitividade do país situa-se abaixo da média dos países com semelhante nível de desenvolvimento socioeconômico. Em relação aos demais países da América Latina, a qualidade geral da infraestrutura no Brasil situa-se em 13° lugar no ranking de competitividade, à frente apenas de Argentina, Colômbia, Haiti, Honduras, Paraguai e Venezuela.

A baixa competitividade é fomentada por diversos fatores, tais como as deficiências no planejamento integrado, no desenvolvimento de projetos, no investimento de recursos em infraestrutura e na capacidade de execução em conformidade com os projetos e os seus cronogramas. A relação entre estes fatores, condizente ao aumento do Custo Brasil. A sociedade brasileira sofre o impacto de tais deficiências, quer no mercado externo, com a menor geração de divisas e os problemas de ligação aos países vizinhos, quer no mercado interno, com as dificuldades na integração física entre as diferentes regiões e o baixo nível de serviço oferecido aos usuários dos serviços de transporte.

As lacunas no planejamento e no desenvolvimento de um sistema de transporte integrado têm conduzido a desequilíbrios na matriz de transporte – com níveis desiguais de eficiência na operação dos modais –, a desigualdades entre regiões e existência de entraves na circulação de bens e pessoas. Apesar do predomínio de alguns modais em relação a outros, tanto no transporte de passageiros como no de cargas, encontram-se, em todos os modais, problemas que exigem intervenções.

TRANSPORTE RODOVIÁRIO

O modo rodoviário tem uma participação predominante na matriz de transporte de cargas e de passageiros no Brasil. No transporte regional de cargas, em milhões de TKUs (toneladas por quilômetro útil), sua participação é de aproximadamente 61,1% – seguida do ferroviário, com 20,7%; do aquaviário, com 13,6%; do dutoviário, com 4,2%; e do aéreo, com 0,4%, segundo dados do Geipot (Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes). Por sua vez, o transporte rodoviário de passageiros, nos âmbitos interestadual e internacional, correspondia em 2011 a um fluxo de 131,5 milhões de passageiros. Em comparação, o transporte aéreo de passageiros, nos âmbitos doméstico e internacional, correspondia, no mesmo período, a 99,9 milhões de passageiros, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Apesar dessa predominância, o transporte rodoviário é confrontado com problemas que afetam o seu desempenho, sobretudo no nível das infraestruturas. Deficiências de projeto, má gestão e ausência de manutenção, por exemplo, resultam em desperdício de tempo e em impactos com elevados custos, além de acarretar em acidentes, poluição, desgaste e avarias nos veículos.

Em 2013, as rodovias brasileiras apresentavam uma extensão total de 1.713.885 km, sendo a maior parte delas não pavimentada – 1.358.793 km, ou 79,3% do total, seguida das pavimentadas – 202.589 km, ou 11,8% do total – e das planejadas – 152.503 km, ou 8,9% do total. Dentre as rodovias pavimentadas, 54,7% – 110.842 km – são estaduais e 32,1% – 64.921 km – são federais. Nas rodovias federais pavimentadas, por sua vez, predominam as rodovias de pista simples, com 58.342 km – 89,9% da extensão total.

Quanto à distribuição no território, a malha rodoviária federal pavimentada tem a sua maior extensão na Região Nordeste – 29,7% –, seguida das Regiões Sudeste – 22,3% –, Sul – 18,1% –, Centro-Oeste – 17,2% – e Norte – 12,7%. No período de 2004 até 2013, a extensão da malha rodoviária federal teve um crescimento de 12,1%. Esta ampliação pode ser considerada pouco expressiva na oferta de transporte quando comparada com a evolução de alguns indicadores que afetam a demanda por serviços de transporte, tais como o PIB (Produto Interno Bruto) e a frota total de veículos, que dobraram no mesmo período. Pode-se evidenciar ainda a baixa densidade da malha rodoviária pavimentada do Brasil – 23,8 km/1.000 km – quando comparada com a de outros países de dimensão semelhante, tais como os Estados Unidos – 445,2 km/1.000 km2 –, a China – 359,9 km/1.000 km2 – e a Austrália – 46,0 km/1.000 km (sendo que 18% do território desse país são desertos).

A Pesquisa CNT de Rodovias 2013 avaliou, em 96.714 km de rodovias – sendo a totalidade da malha federal e as principais estaduais pavimentadas –, as seguintes características: Estado Geral da Via, Pavimento, Sinalização e Geometria da Via. Tais características foram classificadas segundo um dos seguintes critérios: “Ótimo”, “Bom”, “Regular”, “Ruim” ou “Péssimo”.

Quanto ao Estado Geral, verificou-se que 36,2% (35.002 km) das rodovias apresentam condições satisfatórias – “Ótimo” ou “Bom”. Em 63,8% do total de rodovias pesquisadas, foram detectados problemas no Pavimento – “Regular” (34,4%) – , na Sinalização – “Ruim” (21,4%) – e na Geometria da Via – “Péssimo” (8%).

Quanto ao Estado Geral, os estados que apresentam os maiores percentuais de trechos com condições satisfatórias foram São Paulo (82,2%), Rio de Janeiro (65,0%) e Paraná (62,8%). Os estados com os menores percentuais em condições satisfatórias são Acre (0,0%), Pará (5,2%) e Amazonas (10,4%). Constatou-se que as rodovias pavimentadas, além de terem uma reduzida participação na malha total, apresentam condições insatisfatórias em uma significativa parcela da sua extensão. Os gargalos físicos daí resultantes comprometem todo o sistema logístico – ao aumentar o Custo Brasil – e inibem a competitividade do país, no que tange à sua infraestrutura.

Nas últimas décadas, ocorreu uma significativa redução do investimento público em infraestruturas de transporte. Exemplificando, em 1976 o % do PIB foi de 1,8%, já em 2013 foi de 0,3%. Verificou-se que os investimentos públicos autorizados anualmente não são em sua totalidade efetivamente realizados. Essa diferença tem se tornado muito significativa nos últimos anos. Em 2013, por exemplo, dos R$ 19,1 bilhões autorizados para as infraestruturas de transporte, apenas R$ 12,5 bilhões ou cerca de 66% foram efetivamente utilizados. Tal situação deve-se à dificuldade de execução e de gerenciamento dos investimentos, por parte do governo federal.

Em relação à frota, no período de 2004 até 2013, o número de veículos no país, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) passou de 39,2 milhões para 78,8 milhões, representando um crescimento de 101,0%. Somente em 2013, no Brasil, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), foram fabricados e licenciados 3.767.370 veículos – dos quais 73,4% foram automóveis, 21,7% comerciais leves, 4,1% caminhões e 0,9% ônibus. Por sua vez, o número de motocicletas vendidas em 2013, segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Bicicletas e Similares), correspondeu a 1.592.677 unidades, o que representa um crescimento de 55,5% em relação a 2005, o que representou um significativo impacto na gestão da mobilidade urbana.

De 2007 até 2013, o licenciamento de veículos rodoviários de carga – caminhões, caminhões tratores, reboques e semi reboques – teve um crescimento de 16,9%, o que denota um aumento da demanda de serviços de transporte rodoviário e consequentemente uma maior pressão sobre as rodovias. Apesar do crescimento da demanda por novos veículos, a idade média da frota de caminhões ainda é bastante elevada. De acordo com o RNTC (Registro Nacional de Transportadores de Carga), os caminhões de frotas de empresas possuem idade média de 8,5 anos, enquanto os caminhões de autônomos possuem em média 21 anos.

De acordo com os dados compilados pelo Boletim Estatístico CNT, a frota de veículos rodoviários de carga correspondia a 4.890.018 unidades, em 2013, ao passo que a frota de ônibus correspondia a 204.798 veículos, sendo que desse total, 17.309 ônibus são interestaduais e internacionais, 57.000 são intermunicipais, 23.489 estão habilitados para fretamento e 107.000 prestam serviços.

Fonte: Target 

Referência: Plano CNT de Transporte e Logística/Panorama das Modalidades de Transporte/Transporte Rodoviário. – See more at: http://www.targetmp.com.br/site/panorama-de-transporte-rodoviario/#sthash.O9Er3B5Z.dpuf