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Deixando o preconceito de lado e superando muitas dificuldades, três mulheres conseguiram realizar um sonho em comum: ser motorista de ônibus. Alexandra Silva do Amaral, 37 anos, costureira; Rita de Fátima Gusmão Viana, 38, dona de casa; e Rosangela Agoston Dias de Oliveira, 46, operadora de caixa, tiveram que driblar muitas adversidades e, frequentemente, o machismo. Mas elas fazem questão de nos contar como foi a trajetória para fazer o que mais gostam: dirigir um ônibus.

Hoje, Rosangela Agoston transporta diariamente os colaboradores da Scania em um ônibus da empresa Breda. Antes operadora de caixa, ela decidiu mudar de profissão há cinco anos, quando já havia passado dos 40 de vida. O motivo? Saber como era a vida a bordo do volante após perder a mãe, vitimada por um acidente de carro. “Minha família era do ramo de transporte de passageiros, e aos 20 anos eu até manobrava os ônibus na garagem. Mas passada essa época, fui cuidar da minha vida e, até a morte da minha mãe, nem carro de passeio eu dirigia”, conta. Com o desejo aceso e o incentivo das pessoas mais próximas, ela foi à luta. “Tirei habilitação, fiz curso e fui para os pontos de ônibus e lotação pedir trabalho”. A primeira oportunidade foi no transporte escolar, mas logo já estava pronta para veículos maiores e, mais do que isso, havia se encontrado na profissão. “Estar ao volante é uma terapia. Me sinto livre, alivio o stress, sem falar que amo o contato com as pessoas, tenho um carinho pelos meus passageiros, mesmo que não saiba os nomes de todos”, declara-se.

Alexandra Amaral passou os primeiros anos de carreira operando máquinas de costura, mas nunca deixou de lado o sonho de pilotar os grandes veículos, herdado de tios e até de uma prima que seguiram na profissão. Apesar da grande mudança, ela se orgulha de contribuir para aumentar as estatísticas de mulheres motoristas de ônibus e caminhões: “Estamos transportando vidas e me preocupo e cuido dessas pessoas como se fossem da minha família”. Na Breda há um ano e meio, no seu trajeto é comum ela receber um aceno ou elogio de pessoas que apoiam a sua escolha. “Quando eu estou no volante parece até que eu cresço porque as pessoas até estranham quando me veem fora do carro, assim, baixinha”, diverte-se.

“Meu pai me ensinou a dirigir antes de eu completar dez anos e já queria ser motorista, mas achava que seria difícil”, conta Rita Viana. Os anos correram, ela casou, teve filhos, foi vendedora de hot dog e dona de casa, até que decidiu que não queria mais adiar seu sonho. “Nunca fui de ficar esperando as coisas acontecerem, por isso fui me capacitar”, conta ela, que fez cursos de transporte coletivo e aproveitou todas as oportunidades de aprender que apareceram. O mais difícil, segundo Rita, foi superar o preconceito. “Não é fácil estar no meio de tantos homens ainda pouco acostumados a dividir espaço com as mulheres. Cheguei a ouvir que eu devia pilotar fogão, mas respondia que o meu fogão era grande, seis bocas, automático, e que eu já o dominava o suficiente”, relembra, comemorando que essa fase tenha ficado no passado. “Estudando e me aperfeiçoando conquistei o respeito e, mais do que isso, a confiança e admiração dos colegas. Hoje não imagino como seria a minha vida longe da profissão”, finaliza cheia de orgulho.

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Fonte: iCaminhões