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Em outubro, a Mercedes-Benz convocou a imprensa para fazer alguns comunicados aparentemente contraditórios: anunciou novos investimentos e, em seguida, informou que as atividades fabris seriam paralisadas em dezembro. Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, disse que a empresa irá investir R$ 730 milhões; que fará mudanças nas linhas de produção de São Bernardo e de Juiz de Fora; e que as atividades produtivas serão paralisadas durante todo o mês de dezembro nas duas fábricas, do ABC e de Juiz de Fora (MG), com retorno previsto para 6 ou 7 de janeiro de 2015.

A paralisação das atividades fabris visa adequar os estoques à demanda do mercado. “A produção em 2014 deve ficar 26% abaixo do registrado no ano passado. Por isso, decidimos utilizar as fábricas de mais maneira eficiente”, disse o presidente da empresa, segundo a Folha de S. Paulo, explicando pela nova estratégia caberá à planta do ABC a montagem final de todos os caminhões, enquanto à fábrica de MG responderá apenas pela produção da cabine e pintura (os trabalhadores da planta de Juiz de Fora paralisaram as atividades no último dia 7, em protesto contra a transferência da linha de montagem). Os R$ 730 milhões serão investidos na readequação das linhas; R$ 500 milhões em São Bernardo e R$ 230 milhões em Juiz de Fora.

“O mercado está em torno de 15% abaixo de 2013 e deverá terminar o ano assim”, disse Schiemer ao site Automotive Business. “Nós ganhamos participação tanto em ônibus quanto em caminhões e nossas vendas domésticas caíram menos do que a média, nossa performance é bastante positiva, mas não suficiente para compensar a queda das exportações, que representam, perto de 20% da nossa produção”. Cerca de 90% das exportações da Mercedes-Benz são para a Argentina.

A Mercedes-Benz prevê produzir este ano 35 mil caminhões e 15 mil chassis de ônibus. Com a queda na produção, cerca de 10% dos funcionários de São Bernardo (1,2 mil) estão em layoff até o fim de novembro. Em Juiz de Fora, dos 750 funcionários, 168 estão em layoff.

De acordo com o Automotive Business, Schiemer espera que o fundo do poço tenha chegado. Uma das esperanças é que o projeto de renovação da frota de caminhões finalmente saia do papel em 2015. Com cerca de 230 mil veículos com mais de 30 anos de uso, o programa teria potencial para girar de 20 mil a 30 mil unidades/ano. “Traria maior dinâmica ao mercado. Negócio gera negócio”, resumiu Schiemer, de acordo com o site.

Fonte: Usinagem
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